
Era um vermelho bem vivo e cintilante o som daquela triste canção
Nunca mais tocarei no perfume da rosa e do sândalo
Sempre vi com bons olhos o reflexo do sabor do banquete oferecido
Senti o doce amargo na garganta da iminente queda
Ouvi o brilho intenso dos primeiros raios de sol
Fez-se noite em meu viver o cheiro do verde da grama
Comi o azul fosforescente do carro à sombra
Fui veloz e astuto ao sentir o barulho da fome
Incendiei com gotas calejadas de lágrimas a moradia do carrasco
Entoei um belo discurso amarelo manga
Fiz falsas promessas ao som da camisa de força
Praguejei toda inconstância do sabor da velocidade da chuva
Asfixiei as pegadas roxas na estrada do destino
Ainda me lembro bem do som algoz daquele santo de barro
Corri rumo à escuridão mágica do vento
Vetei o gosto ácido ao escrever os primeiros versos
Não senti medo diante do murro certeiro na prosa da face
Amarrei com nós bem atados o esconderijo do cheiro do cativeiro
Não caí em frente ao assalto do trem framboesa
Caminhei macio ao som da sombra ruminante
E em um único e desesperador instante perdi todos os sentidos, e não mais respirei ao tocar a sinfonia do orgasmo da moça! E continuei sem sentidos.

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