sábado, 12 de julho de 2008

Império dos Sentidos


Era um vermelho bem vivo e cintilante o som daquela triste canção

Nunca mais tocarei no perfume da rosa e do sândalo

Sempre vi com bons olhos o reflexo do sabor do banquete oferecido

Senti o doce amargo na garganta da iminente queda

Ouvi o brilho intenso dos primeiros raios de sol

Fez-se noite em meu viver o cheiro do verde da grama

Comi o azul fosforescente do carro à sombra

Fui veloz e astuto ao sentir o barulho da fome

Incendiei com gotas calejadas de lágrimas a moradia do carrasco

Entoei um belo discurso amarelo manga

Fiz falsas promessas ao som da camisa de força

Praguejei toda inconstância do sabor da velocidade da chuva

Asfixiei as pegadas roxas na estrada do destino

Ainda me lembro bem do som algoz daquele santo de barro

Corri rumo à escuridão mágica do vento

Vetei o gosto ácido ao escrever os primeiros versos

Não senti medo diante do murro certeiro na prosa da face

Amarrei com nós bem atados o esconderijo do cheiro do cativeiro

Não caí em frente ao assalto do trem framboesa

Caminhei macio ao som da sombra ruminante

E em um único e desesperador instante perdi todos os sentidos, e não mais respirei ao tocar a sinfonia do orgasmo da moça! E continuei sem sentidos.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Felicidade???


É que eu vivo depressa demais,
Não conto a vida em dias, nem em semanas, mas sim em anos, pra ver mais intensa as suas curvas,
Não levo a vida a sério,
Faço planos inatingíveis,
Felicito as pequenas coisas,
Amo muito, padeço por menos.

É que eu tenho muitos amigos,
São todos imperfeitos,
Muitos malucos,
Muitos doidões,
Muitos felizes,
Outros tristes,
Convivo com cada um deles, a sua forma e maneira.

É que não tenho medo do perigo,
Amo o escuro,
Evito a altura,
Sou forte,
Epanto a morte,
Sou um herói, mais que destemido.

É que consigo avistar bem longe,
Mesmo não subindo nos ombros do gigante,
Mesmo não prevendo o futuro,
Vejo o que me aquece,
Vejo o que me interessa,
Vejo além do horizonte.

É que respiro um ar puro,
Amo o verde,
Destesto tudo que é sujo,
Respiro o melhor ar deste país,
Respiro a honestida e o respeito,
Tenho em mim o olfato do amor.

É que não tenho limites,
Desconheço o poder do impossível,
Praguejo o gozo não alcançado,
Não tenho medo do ridículo,
Procuro estar sempre apreendendo,
E estou sempre evoluindo.

É que eu sinto a constante presença de Deus,
Sinto a brisa que toca meu rosto,
Sinto a sua energia em meu corpo,
Rezo pelos outros,
Alcanço conquistas,
É a sua presença e seus passos na areia.

E diante disso tudo concluo: sou feliz!
Mas tem uma pequena vantagem, sou muito feliz!
É uma felicidade pura, assídua, que me traz a tona,
Será então assim, essa tal felicidade?