sexta-feira, 22 de junho de 2007

Por algumas lágrimas


Hoje tive uma vontade imensa de chorar. Chorar sem dor, chorar por amor, chorar sem gosto, chorar sem cheiro, incolor.

Diante disso, vejo cada gota de lágrima a combater a aridez física, mas, sem umedecer o espírito, trazendo uma enorme agonia. Tal contradição penetra, perturba.

Não quero lágrimas desmotivadas, nem tê-las como lastro de meus sentimentos, teimando em cair, açoitando o meu ser.

O choro é livre, o pranto necessário, mas, fogem a razão, inexplicável ilusão.

Faz-se justo não buscar motivos, nem traçar necessidades. Não choro pelos recentes mortos, pela iminente mau sorte e bem menos pelo caos do amor; um tédio enorme nestes horizontes serenos.

Não seja minha sina este choro aqui, fazendo-me sua rapina, consumindo minha essência, roubando minha alegria, fazendo ruínas dentro de mim.

Só resta fitar o horizonte, assaz e alto, sublime, incapaz de avistar e discernir entre os risos e as lágrimas dos homens. E finalmente me consome em nome de regozijar seu prazeres sem fim, e desperta em flores todo o prisma infinito dessas frias dores.

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