sexta-feira, 22 de junho de 2007

Por algumas lágrimas


Hoje tive uma vontade imensa de chorar. Chorar sem dor, chorar por amor, chorar sem gosto, chorar sem cheiro, incolor.

Diante disso, vejo cada gota de lágrima a combater a aridez física, mas, sem umedecer o espírito, trazendo uma enorme agonia. Tal contradição penetra, perturba.

Não quero lágrimas desmotivadas, nem tê-las como lastro de meus sentimentos, teimando em cair, açoitando o meu ser.

O choro é livre, o pranto necessário, mas, fogem a razão, inexplicável ilusão.

Faz-se justo não buscar motivos, nem traçar necessidades. Não choro pelos recentes mortos, pela iminente mau sorte e bem menos pelo caos do amor; um tédio enorme nestes horizontes serenos.

Não seja minha sina este choro aqui, fazendo-me sua rapina, consumindo minha essência, roubando minha alegria, fazendo ruínas dentro de mim.

Só resta fitar o horizonte, assaz e alto, sublime, incapaz de avistar e discernir entre os risos e as lágrimas dos homens. E finalmente me consome em nome de regozijar seu prazeres sem fim, e desperta em flores todo o prisma infinito dessas frias dores.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Insônia


Ser amigo da noite é tarefa árdua. Cair nos braços de Morfeu sem transigir, exigir ou reivindicar algo, requer extrema habilidade.


Os pensamentos aceleram, tomam forma, atraem temores, angústias e sentimentos profundos. Quem é insone sabe bem o que vos digo.


Nesse quadro, seu grande inimigo é o tempo, nunca tenha um relógio por perto, pois além de matar o tempo, é o maior de todos os cúmplices da insônia. Ele está ali do seu lado, como seu companheiro especulando as suas mazelas.


Mesmo que não haja mais o retrógrado som do tic-tac, ele está ali, lhe consumindo a cada minuto. Declare guerra a este inimigo, evite imaginar o tempo e o espaço. Evite o tic-tac.


O que fiz ontem? Não devia! O que farei logo mais? Será que consigo? Não sei, mas neste momento quero viver depressa, acabe logo com essa maldita noite insone.


Sempre o tempo, não quero olhar o relógio, não quero ver as curvas da noite. Não quero mais sonhar acordado.


Aí vem o pior, o inevitável despertar, a vida abre suas portas a cada manhã. Será que dormi? Talvez, mas acordei de um sono que ainda não tive.


Em breve mais uma noite, em breve mais uma súplica pelo tão esperado descanso, o repouso tão desejado.


Abra suas asas, me envolva por essa penumbra revigorante. Quero o silêncio da noite, e depois me livrar dos seus braços, sedento mais uma vez de sonhar acordado!

Dia dos Namorados...


Soneto de Infidelidade


De tudo em ti, o que eu mais desejo

é justo o que eu ainda desconheço.


Da flor, o ocaso; o pólen de um começo

que te faz renascer a cada beijo.


Daquela que eu amei noutro festejo

o que restou eu hoje já me esqueço.

A tua nova pele hoje eu teço

e já não és a mesma quando eu vejo.


Confesso meu deslize e falo sério:

Te traio com ti mesma todo dia

e espero então que me traias de volta.


Pois a paixão de ontem é vazia.

Mortal e eterno o amor é uma revolta

que arde os nossos corpos no mistério.

By Fresta! – Blog do Fernando Chuí

terça-feira, 12 de junho de 2007

Assim, por tão pouco...


Navego por terras que nunca estive, pescando ilusões contidas, peneirando pequenos grãos intangíveis, respirando a brisa que asfixia, assim vou presenciando este moinho que gira. No seu compasso o tempo, em seu ritmo a prece, em seu som um grito, anunciam essa triste agonia.

Sempre indo por caminhos estranhos, mas que me levam a paz, a bonança e a alegria. Tenho a certeza que sou sempre protegido pelas mãos divinas, e nisso eu tenho minha enorme e incontida FÉ.


Ser grande nas vitórias, nas derrotas; estar em uma grande procura, uma constante evolução, uma eterna busca, rompendo todas as barreiras e dificuldades. Mas, sabendo que o êxito que acompanha a glória é efêmero, e desfrutar-lhe é o que nos alimenta durante nossa árdua caminhada.

Cada pedra neste caminho não será em vão, cada suspiro que traz a tona recompensado, mesmo diante da eternidade que a todos dilacera. Terei então, cada dia como uma dádiva, cada luz como o sol que ilumina e cada gesto como um sinal de gratidão, inerte diante da fragilidade dos homens.


Fazer valer toda a dinâmica que nos arrepia e finalmente, diante do mais azul de todos os azuis, lembrar que tudo isso fora em vão, esquecido e abandonado; para um dia acordar deste sonho e ter que morrer por tão pouco!