sábado, 12 de julho de 2008

Império dos Sentidos


Era um vermelho bem vivo e cintilante o som daquela triste canção

Nunca mais tocarei no perfume da rosa e do sândalo

Sempre vi com bons olhos o reflexo do sabor do banquete oferecido

Senti o doce amargo na garganta da iminente queda

Ouvi o brilho intenso dos primeiros raios de sol

Fez-se noite em meu viver o cheiro do verde da grama

Comi o azul fosforescente do carro à sombra

Fui veloz e astuto ao sentir o barulho da fome

Incendiei com gotas calejadas de lágrimas a moradia do carrasco

Entoei um belo discurso amarelo manga

Fiz falsas promessas ao som da camisa de força

Praguejei toda inconstância do sabor da velocidade da chuva

Asfixiei as pegadas roxas na estrada do destino

Ainda me lembro bem do som algoz daquele santo de barro

Corri rumo à escuridão mágica do vento

Vetei o gosto ácido ao escrever os primeiros versos

Não senti medo diante do murro certeiro na prosa da face

Amarrei com nós bem atados o esconderijo do cheiro do cativeiro

Não caí em frente ao assalto do trem framboesa

Caminhei macio ao som da sombra ruminante

E em um único e desesperador instante perdi todos os sentidos, e não mais respirei ao tocar a sinfonia do orgasmo da moça! E continuei sem sentidos.